kids

O dia em que tudo começou

 

 

Lembro bem da primeira vez que peguei numa raquete. Estávamos, numa quadra de tênis (sim, poderia ser em outro lugar) de uma pousada da CESP. Num momento que depois no futuro se tornou bem raro: eu, minha irmã, minha mãe e meu pai jogando dupla.

Minha mãe e minha irmã já faziam aula, então, já tinham tido acesso a uma certa aprendizagem. Minha irmã tinha uns 7 anos, e eu uns 10. Eram férias de dezembro, ou janeiro. E o sangue esportista despontou nesse momento, ainda mais depois de um comentário exagerado (pra variar) do meu pai: nossa, nem profissional sabe fazer essa bola! Ali, eu já me senti a Sharapova dos anos 80! Daí pra frente, não consegui parar mais. Pode até ter sido pelo elogio do meu eterno fã número 1, mas com certeza, as alegrias que o tênis me trouxe, me impulsionaram a não querer mais sair desse mundo.

Quando voltamos das férias, o meu pedido foi para aprender a jogar aquele negócio. E minha mãe logo foi fazer minha matrícula no clube. E lógico, no meio do verão, toda aula chovia…E eu não conseguia fazer minha primeira aula. Mas, logo deu certo e comecei minha jornada.

Com 6 meses de aulas, meu professor aconselhou meu pai a procurar outro técnico, que iria me passar mais conhecimentos, pois seria bacana investir no meu desenvolvimento. Fiquei muito feliz com o conselho, e admirada com a humildade do meu professor, que me permitiu avançar naquilo que estava tomando conta da minha vida cada vez mais.

Minha mãe e minha irmã não continuaram jogando. Talvez fosse insuportável ver a fascinação dos dois novos aficionados, que só falavam de tênis dia e noite. Mas, sempre tivemos o apoio e compreensão, de quem vê que não vai adiantar nada lutar contra. Continuaríamos viciados por aquele esporte.

Só que o tênis é um esporte complexo, e começaram a vir algumas dificuldades. Nos primeiros anos de torneio percebemos que existiam pessoas que tinham orientações melhores que nós sobre como melhorar, como treinar, e todo o fundamento geral necessário ao desenvolvimento do jogador.

Tínhamos consciência que dentro de uma cidade pequena, várias coisas são limitadas, e nessa época, até mesmo a comunicação. Não existia celular, nem internet, então tudo era mais lento.

E percebemos que estávamos bem atrasados, quando pude participar de um torneio bem importante no estado de São Paulo. Chamava-se Copa Futuro Itaú, onde os 14 melhores tenistas do ranking da FPT  eram convidados, e mais 2 a cada etapa (eram 4 etapas) compunham uma chave de todos contra todos, jogando 4 em cada chave. Era bacana, pois no mínimo jogávamos 3 jogos, e os melhores avançavam para as finais neste mesmo final de semana.

Conclusão: foi a maior coleção de 6×0 acumulados na história do tênis mundial!!! Seria cômico, se não fosse trágico. Mas também seria trágico, se não fosse cômico! Eu tinha sido orientada, pra não ligar se perdesse, porque o objetivo na minha idade (14 anos) era melhorar meu jogo, meus golpes, e vencer não era importante…Era a instrução dada para não me sentir pressionada a ganhar a qualquer custo, mas nesse ponto, percebemos que tinha algo errado. E fomos buscar saber o que era.

Então, meu pai resolveu me “internar” em uma clínica de tênis. Na verdade era uma academia, onde os técnicos eram profissionais da área, e fomos recepcionados pelo simpático João Soares! E lá, eu tinha algumas aulas 3 a 4 vezes por semana, com diversos professores, totalizando talvez no máximo umas 6 horas por semana.

Tive aula com os gêmeos Fábio e Flávio, Tadeu, Marcos,  o próprio João, e também o Givaldo Barbosa, com quem até hoje encontro em alguns torneios!

Nesse intensivo, aprendi muitas coisas que ninguém tinha me ensinado, e outras coisas que de modo intuitivo e inconsciente eu já sabia, porém ali, os técnicos orientavam de forma clara os conceitos.

Fomos percebendo que os melhores jogadores juvenis, se dedicavam durante várias horas por dia, e desde muito cedo. Algumas crianças começam com 5 ou 6 anos, mas o grande diferencial mesmo, é saber percorrer o caminho certo, se o objetivo é desenvolver o máximo das potencialidades do jogador. E também vimos que alguns, deixavam até estudos de lado, para arriscar uma sonhada carreira no circuito profissional milionário. Mas isso nunca foi uma opção para nós. Queríamos seguir no tênis, competir, melhorar, mas sem deixar de lado os estudos.

Morando em cidade pequena, apesar de ser no estado de Sao Paulo, não tivemos oportunidade de aprender muito. Tanto que alguns jogadores nascidos aqui, que pretendiam evoluir, foram treinar em outras cidades. Jair treinou em Campinas e Bauru, Rodolfo treinou em Florianópolis, e eu acabei buscando um treinamento melhor aos 17 anos, quando já tinha terminado o terceiro colegial, e ainda poderia jogar mais dois anos como juvenil.

Mas essa história, fica para o próximo capítulo da novela…

Se você gosta de tênis e quer trocar ideias e informações, fique ligado por aqui e deixe seu comentário sobre o que gostaria de ouvir!

 

Thais Hiroki

Gostou desse artigo, compartilhe 😉

Share on facebook
Facebook
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on telegram
Telegram
Share on twitter
Twitter
Share on pinterest
Pinterest

Uma resposta

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Cadastre o seu e-mail e fique por dentro de todas as novidades do blog.

Direto ao ponto

Mantenha-se atualizado

Deixe seu e-mail e receba todas as novidades do blog. 

Copyright 2020 © Todos os direitos reservados - Eu Amo Jogar Tênis