Táticas para vencer no tênis

Nosso esporte é admirado por diversas pessoas que nunca nem sequer pegaram em uma raquete.

Acho interessante alguns alunos que vêm fazer a primeira aula, e conhecem todos os jogadores tops do momento, comentam sobre a vencedor do último Grand Slam ou sobre a recuperação de Roger Federer no ranking nos últimos tempos.

Na verdade eu deveria investigar mais o nível de conhecimento a que chegam, pois ter a paciência pra assistir partidas de tênis é para poucos.

Assistindo os bons jogadores, vemos tudo que há de melhor no tênis: a perfeição técnica, também jogadores um pouco fora do padrão técnico mas muito eficientes para jogar, jogadas improváveis, soluções improvisadas, descontrole emocional, e tudo mais que um belo jogo de tênis pode oferecer.

Várias coisas são visíveis, mas muitas outras estão nas entrelinhas, ocultas nos pensamentos profundos do jogador, e até fora do consciente, onde realizam-se jogadas intuitivas e criadas pelo simples fato do jogador estar no estado mental correto pra se jogar. No estado de total fluidez.

Aprendendo a pensar

Criar táticas pra jogar tênis, não se aprende apenas dentro da quadra de tênis.

Quando a gente era criança, e brincava de pega-pega, esconde-esconde, mãe da rua, queimada, e tantas outras brincadeiras, estávamos aprendendo a JOGAR.

Em um nível mais inocente e leve, porém desenvolvendo nossos pensamentos pra depois mais tarde elaborarmos mais do que uma estratégia para jogar tênis. Na antiguidade, correr e saber se esconder era uma questão de sobrevivência! (infelizmente para algumas pessoas ainda é…)

Mas para quem não precisa nem correr e nem se esconder para sobreviver, elaborar formas inteligentes de “salvar o mundo” pode ajudar nas partidas de tênis contra o cunhado no final de semana, ou nos torneios do seu clube.

Isso significa que conhecer as táticas do jogo de tênis é muito importante, mas ter um pensamento que constrói e elabora soluções para problemas, pode resolver grande parte dos desafios que o jogo de tênis (ou melhor, nosso adversário) nos apresenta.

Durante o Workshop promovido pela Liga Tênis 10, fiz uma entrevista com a Judy Murray, mãe dos tenistas Andy Murray e Jamie Murray , e perguntei o que ela considerava mais importante, a técnica, ou a tática.

Conselho da Judy Murray

Judy diz que acha necessário as duas coisas, a técnica e a tática. Mas, ressalta que antigamente não havia muitos treinadores de tênis mas havia muito bons jogadores.

Ele aprendiam como JOGAR O JOGO. Se adaptavam, e aprendiam por eles mesmos. E isso é muito importante quando você é um PAI ou um TREINADOR: não diga ao atleta o que ele tem que fazer! Pergunte a todo tempo o que ele viu, o que aconteceu, e se você pudesse bater de novo essa bola, o que faria diferente.

Judy diz: “Deixe o atleta descobrir sozinho! Esse é o jeito que eu trabalho. Claro, foi o jeito que eu aprendi. Eu não era uma excelente jogadora. Eu tinha um bom nível. Representei a Grã-bretanha nos jogos estudantis mundiais, sem ter muitas e muitas aulas com treinadores. A maior parte das equipes dos juvenis, aprendiam nas competições, e amavam participar.

Então pra mim, eu diria que a tática é a mais importante. Mas se você tiver uma boa técnica, isso vai ajudar você! Se você tem uma excelente técnica, mas não tem ideia sobre tática, você só está indo pro jogo para parecer bom”

Jogadas ensaiadas

Mas será que seria possível prever as jogadas para poder ensaiar?

Talvez! Algumas situações e bolas, são importantes já estarem pré-estabelecidas, pois assim aumentamos a chance no ponto.

Você devolve saques potentes tentando imprimir mais força que o sacador? Não parece boa ideia fazer isso o tempo todo…Uma vez ou outra na hora certa, quem sabe?

Bola alta no fundo da quadra, o que você faz? Vai pro winner pra definir logo? Difícil, heim!

Bola no meio do “T”, o que você faz? Empurra pro outro lado e volta pro fundo?

Determinadas jogadas, podem ter várias respostas. Algumas são mais adequadas que outras, algumas mais arriscadas e outras mais seguras.

O que eu faço, então???

Você pode dividir as jogadas em jogadas de alto risco e jogadas seguras.

Deixe as jogadas seguras pra fazer quando seu game está em risco. Isto é, quando seu adversário pode fechar o game, ou está na iminência de fechar (por exemplo quando está com 30, ou 40).

Quando você está na frente do game, quando o game está nos primeiros pontos, ou quando você está com o ponto pra fechar, pode arriscar mais.

Essa é uma regrinha que aprendi nos primeiros cursos para professores de tênis, e eu fui minha própria cobaia. Garanto que funcionou muito bem.

Eu ía para os torneios, disciplinadamente pensando nisso. Quando tinha que arriscar, arriscava. Quando precisava jogar com segurança, só fazia jogadas conservadoras. E pra mim deu muito certo!

Óbvio que existem outras coisas, como nossa confiança, nosso instinto e o fator surpresa para não deixar nossos adversários acomodados. Mas saber disso, me ajudou a ter muito controle do jogo, e das consequências das minhas escolhas.

Emocionalmente ficou muito mais fácil jogar, porque quando eu arrisco, eu sei que faz parte não acertar. É um risco consciente e controlado.

Exemplos de jogadas seguras

Devolução de saque no meio ou na cruzada. Só faço devolução na paralela se o o golpe do meu adversário for muito ruim, ou se o saque for muito ruim.

Veja que esse tipo de desequilíbrio no jogador (esquerda muito pior que direita) pode gerar uma vulnerabilidade grande.

Devolução Carlos Berlocq no Rio Open 2019

Conselho para os capengas: equilibre sua direita e sua esquerda, e equilbre a força do saque (primeiro e segundo).

Conselho para os atacantes: explore ao máximo esse desequilíbrio fazendo o cara correr, forçando erros, ou obrigando ele a te dar uma bola fácil pra matar.

Aproximação à rede na paralela. Pela questão da bissetriz do ângulo da bola, devemos subir à rede com bola na paralela, ao invés da cruzada.

Outra vez: o que me faria usar a cruzada, no momento em que eu deveria fazer jogada segura, seria colocar a bola no golpe mais fraco do cara. Isso tornaria até mais seguro, do que subir na paralela no golpe forte do outro.

Troca de bolas na cruzada (na maioria). Trocar bolas na cruzada nos faz correr menos e estar melhor posicionado na quadra (se fechar corretamente o ângulo…).

Se for ponto onde pode arriscar mais, a paralela cai bem. Pois na paralela é importante não deixar uma bola molenga e fácil. Senão, se prepara pra correr muito ou tomar um winner!

Usar o primeiro saque a 70% da força. Quando está pressionado, com seu adversário perto de fechar o game (um ou dois pontos), use o primeiro saque. Depender dos segundo saque vai deixar você na defensiva logo na primeira bola

Conclusão

Jogar tênis tem muitos componentes, e quanto mais a gente se dedicar a desenvolver, melhoramos nosso nível como jogadores.

A parte tática vem do PENSAMENTO e INTELIGÊNCIA. Existem jogadas ensaiadas pré-definidas, e também jogadas que dependerão da nossa capacidade de solucionar problemas não conhecidos.

As jogadas podem ser divididas entre jogadas de alto risco e jogadas seguras. Saber a hora de cada uma é um dos segredos dos campeões!

Algumas jogadas podem já estar automatizadas no nosso repertório, mas outras situações podem aparacer, nos obrigando a apresentar a melhor resposta em um curtíssimo espaço de tempo!

Judy Murray, aconselha PAIS e TREINADORES a não oferecerem soluções prontas o tempo todo. A maior parte do tempo devemos perguntar, questionar os atletas sobre o que viram, perceberam, o que fariam diferente. Ajudando assim, a desenvolver um pensamento estratégico digno de um campeão!

4 comentários em “Táticas para vencer no tênis

    • 23 de Maio de 2019 em 11:28
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      Obrigada, Marcelo!!! Contando com a experiência da Judy Murray ficou fácil! Mãe de dois jogadores primeiros do mundo, sabe o que fala! um grande abraço!!!

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  • 16 de junho de 2019 em 21:47
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    Thais, gostei muito dos seus ensinamentos sobre tática para vencer jogos. É sempre uma dúvida que tenho. Vou treinar e jogar como você ensinou. Grato.

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    • 21 de junho de 2019 em 12:47
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      Arthur, existem as táticas “prontas”, as melhores jogadas, as mais seguras ou as mais arriscadas, e também existe a experiência que o próprio jogador tem que adquirir jogando. A partir de suas próprias experiências, você vai perceber e conseguir ver qual tática seu adversário está usando, e quais você poderia adotar para enfrentá-lo. De acordo com seu biotipo, ou características de personalidade, talvez você defina uma preferência para jogar. Os jogadores de muita potência e velocidade, são mais de ataque, batem forte na bola. Os resistentes, são bons defensores pois correr longas distâncias e pontos longos não será problema pra eles. Mas, claro, existe um mínimo de cada tipo que precisamos ter pra ficarmos mais completos e podermos enfrentar diversos tipos diferentes de perfis de jogadores. Qualquer dúvida, entre em contato pelo email! Bons treinos e obrigada pela participação! um abração! Thaís

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